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Atores privados e a produção da segurança cibernética

Luisa Lobato
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ)

Publicado 01.08.2018

Palavras-chave

  • Segurança Cibernética,
  • Atores Privados,
  • Relações Internacionais

Resumo

Após pouco mais de duas décadas, o debate sobre segurança cibernética foi incorporado ao campo das Relações Internacionais. Uma parcela significativa da área tem apontado para a participação e influência de governos no campo da tecnologia da informação e, consequentemente, da insegurança proporcionada por isso. Em meio a este debate, o papel de atores privados na definição do que é segurança cibernética ainda requer debate aprofundado. Propõe-se, portanto, refletir a respeito disto, argumentando-se que estes atores participam diretamente na produção de segurança no ciberespaço principalmente a partir 1) do uso de parâmetros de segurança (p.ex., criptografia) em seus softwares; e 2) da comercialização de produtos e serviços voltados a proteger ou combater ameaças cibernéticas. Além da criação de companhias especializadas em segurança cibernética, a última década também presenciou maior envolvimento de companhias estabelecidas em ramos tradicionais da segurança no desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços de vigilância e segurança cibernética, motivadas por um aumento no volume de recursos direcionados a estes esforços. A partir disto, reflete-se sobre as relações entre estes atores e governo a partir do caso dos Estados Unidos, onde se observa seu envolvimento em disputas envolvendo a definição do que é segurança cibernética e a constituição de alianças com o governo. Esses arranjos público-privados, voltados para reforçar uma visão de segurança nacional, afetam também o que se entende por segurança cibernética, agravando o alcance da vigilância e coleta de dados massiva em nome da “segurança” e enfraquecendo a posição do indivíduo enquanto sujeito a ser protegido.